Quando se tem algo a dizer

Escrevi meu primeiro artigo no linkedin achando que possivelmente ninguém iria ler.

Qual não foi minha surpresa quando tive mais de 3500 visualizações, mais de 800 curtidas e mais de 200 comentários?! Choquei! E o melhor: nenhum comentário negativo. Todos me parabenizando pela coragem, pelo incentivo e a maioria me desejando sucesso. Lindo!

Outra grande surpresa foram alguns contatos feitos por mensagens diretas me pedindo conselhos e dicas. Pelo jeito tinha algo para compartilhar que nem eu mesma sabia a importância…

Aí me lembrei de não ter mencionado naquele artigo que fiz terapia por alguns anos. Nunca foi voltada especificamente para carreira, mas no meio de tantos dilemas pessoais esse tema sempre estava presente, de um jeito ou de outro.

E, por incrível que pareça, quando tomei minha decisão de mudança de profissão, estava afastada da terapia (dei um tempo durante o projeto maternidade). Mas certamente todo o trabalho feito ali me ajudou a ter forças para decidir e enfrentar os meus leões.

Depois, o trabalho com a coach fez um pouco as vezes da terapia – o meu processo ao menos teve um pouco esse perfil (não sei se todos são assim). E acho que funcionou tão bem comigo porque eu já tinha desenvolvido um autoconhecimento que só uma longa terapia proporciona.

Então, se eu posso dar uma dica, seria que não há nada como se conhecer melhor para então tomar grandes decisões, como a mudança de carreira. Não só para sermos mais certeiros, mas para termos a força para segurar as barras que vêm junto no pacote.

Sei que existem terapias voltadas especificamente à carreira. Então, para quem tem mais pressa, acho que esse seria o melhor caminho a percorrer, antes de chegar ao coach. Assim, ambos os processos serão mais objetivos.

E agora, analisando essas questões, consigo enxergar como o autoconhecimento tornou-se relevante na minha vida. Porque o trabalho que faço hoje, com consultoria em comportamento e imagem, tem início também no autoconhecimento.

Muitas pessoas me perguntam se a consultoria funciona como um coach. E não, não funciona. Para começar, as técnicas utilizadas são diferentes. Posso dizer então, que são processos semelhantes, com objetivos diferentes.

A consultoria de imagem pretende solucionar um problema específico, já identificado pelo cliente, como por exemplo, a dificuldade em alcançar uma promoção no trabalho. E foi isso que me atraiu tanto nessa profissão – a possibilidade de resolver com objetividade uma questão, ajudando a pessoa para o resto da vida.

Sim, porque, embora o processo da consultoria seja um treinamento específico, no meu caso, voltado ao corporativo, o cliente consegue levar esse aprendizado para sua vida pessoal. Não é uma maravilha?

Tive duas situações chave que me fizeram direcionar a consultoria para esse foco.

Um deles foi quando conheci o marido de uma amiga, também advogado, que sabidamente no escritório em que trabalhava não chegaria à posição de sócio por não ter “postura de sócio”. Bastou eu encontrá-lo uma vez para entender do que se tratava. Embora fosse excelente profissional, seu comportamento, ou postura, ao se relacionar não eram condizentes com uma posição tão alta em um escritório de grande porte. No caso, mesmo utilizando roupas de grife e frequentando locais badalados.

Poxa, e a solução seria tão simples! Bastava um treinamento com as ferramentas adequadas sobre comportamento em ambiente corporativo. A empresa ganharia um profissional completo e ele se beneficiaria tanto em sua carreira como em sua vida pessoal, com maior segurança e autoconfiança ao se relacionar.

Outra situação, foi com outra advogada colega que entrou como sócia em um escritório com ambiente mais “moderninho” e teve dificuldades em se adaptar tanto ao estilo do ambiente, como ao nível social exteriorizado por seus novos pares. Precisou correr atrás de conhecimento. E era nisso que eu poderia tê-la ajudado!

Foi nessa análise de casos do meu cotidiano jurídico que decidi voltar minha consultoria para questões pontuais de comportamento, postura e etiqueta. Muitos podem considerar ideias ultrapassadas, mas certamente pensam assim porque ainda não passaram por nenhuma “saia justa” como as que mencionei acima, ou com a necessidade de receber um diretor renomado, ou ainda de disputar uma vaga com alguém com a mesma expertise.

Pode ser que você esteja lendo isso e pensando que ninguém dá mais importância para etiqueta. Mas é só lembrar de uma situação em que alguém tenha se portado mal na sua frente, que reavivará a sensação que aquela pessoa te deixou, certamente ruim, ainda que sequer se lembre exatamente o que ela fez.

É bem isso. Nós guardamos as sensações ou os efeitos que as pessoas nos causam, e a partir daí fazemos uma avaliação, difícil e demorada de ser modificada.

Vale mais pensarmos na ideia que os outros estão fazendo de nós, do que a que temos de nós mesmos. Não tem jeito. Não adianta fingirmos que isso não acontece. É só nos colocarmos na posição do outro que chegamos à simples conclusão que também faríamos uma primeira avaliação a partir da postura. É um processo automático do nosso cérebro.

Então, quem tem noção disso, pode tomar a dianteira e domar ou treinar sua postura para que a imagem vista pelo outro esteja de acordo com o seu desejo, profissional ou pessoal.

A isso dou o nome de autoconhecimento.

Mudando de profissão após os 40 anos

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Dizem que os 40 anos são os novos 30. Não para quem quer mudar de profissão!

Para a geração millenium, ter várias carreiras ao longo da vida será normal. E a sociedade está se adaptando a esse tipo de transformação. Mas para alguém acima dos 40, esse comportamento não é visto com bons olhos. Ouvi frases de pessoas próximas como: “não deu certo na advocacia?”; “arrumou um hobby”; “seu marido vai te sustentar?”.

Não posso, de jeito nenhum, dizer que não dei certo na advocacia. Abri meu primeiro escritório em 2001 e desde então me orgulho de dizer que nunca coloquei um tostão nele. Isso é muito raro de acontecer com empreendedores. E também nunca precisei correr atrás de clientes; eles vinham atrás de minha expertise na área da saúde, até por isso, acabei ficando mal acostumada.

Mas então, o que aconteceu?

Tenho dito que sinto que cumpri o meu papel na advocacia. Sei lá, cansei! Junto a isso, é claro, tem uma frustração com nosso Poder Judiciário, que está a cada dia com níveis piores, e também a minha área de atuação, saúde, que, por mais profissional que eu fosse, acabava por me esgotar emocionalmente. É muito difícil administrar a vida das pessoas por tanto tempo!

Mas essa mudança não é, e não foi fácil. Foram anos de maturação e aceitação, minha e das pessoas próximas a mim. Até porque o pior de tudo é que eu só tinha uma certeza – que não queria mais advogar – mas não sabia o que fazer no lugar. Nunca tive um plano “b“ de carreira.  

Dei um tempo nesse pensamento e investi tudo na maternidade. Inclusive pedi muito que minha filha me trouxesse respostas. No entanto, a única resposta que ela me trouxe é a de que eu não nasci para ficar em casa e muito menos para ser “dona de casa”.  

Foi então que meu marido, ansioso por me ajudar, me deu a brilhante ideia de passar por um processo de coach, e inclusive me ajudou a achar o profissional mais alinhado a mim (porque tem isso, existem vários perfis de coach).

Na segunda entrevista eu me encontrei com uma profissional brilhante e acolhedora. A liga foi imediata! Basicamente a única pergunta que fiz a ela foi “ você jura que após essas dez sessões eu saberei o que fazer?”. E ela disse que sim! Eu confiei e mergulhei de cabeça – o que é essencial nesse processo.

Nunca vou me esquecer do dia em que, no meio do processo, ela colou alguns post its numa lousa com várias profissões de que sequer me lembro. Mas um deles dizia “consultoria de imagem”. Eu nunca tinha ouvido falar nisso mas, mesmo assim, e segundo ela, os meus olhos brilharam naquele momento. Minha excitação e ansiedade em conhecer do que se tratava eram quase incontroláveis.

Por sorte, ou destino, descobri um curso de consultoria de imagem na Belas Artes que começaria nos próximos dias. Era uma ótima oportunidade para eu conhecer essa profissão. E lá fui eu super animada em passar 15 noites sem falar de direito em nenhum momento!       

Era certamente a mais velha da turma e a mais deslocada. Sofri certo bullyng…a maioria dali eram jovenzinhas e vinham de áreas relacionadas à moda ou afins. E eu com aquela pose evidente de advogada!

Tive uma boa ideia do que se tratava a consultoria de imagem. Voltei para a coach com a certeza de que havia descoberto o meu caminho, mas com algumas adaptações….

Ela então me sugeriu conversar com algumas profissionais da área. Marquei um café com uma delas que, graciosamente, passou quatro horas me deliciando com as maravilhas dessa profissão. Fiquei ainda mais encantada! Absorvi todo o tipo de informação que ela poderia me passar, dentre elas a principal – qual o curso de formação a fazer.

Foi assim que cheguei à Oficina de Estilo. Na ocasião um dos melhores e mais renomados cursos de formação de consultores de estilo.   

bullyng foi um pouco menor mas ainda presente, mas estava mais preparada e enquadrada. Mais uma vez um dos maiores prazeres foi passar uma semana de imersão total em assuntos não jurídicos. Foi a primeira vez que sentei para estudar outra coisa em toda a minha vida! Verdadeiro marco!

Como boa taurina, e advogada, que sou, passei a semana estudando e questionando se todo aquele método tão lindo era possível de funcionar na prática. Mas só quando atendi minha primeira cliente, voluntária do curso, foi que a ficha realmente caiu. Que delicia é esse mundo!

Peguei uma cliente difícil, que inclusive achei que tinha sido designada a mim de propósito. Mas apliquei nela toda a minha experiência em lidar com pessoas em situações de crise. Ou ela confiava em mim ou o processo não rolaria. E, no fim, de um jeito inesperado, a coisa aconteceu.

De início achei que o prazer tinha sido só meu, porque tinha convicção de que tinha dado o meu melhor à cliente. Mas quando recebi a avaliação dela soube que o resultado era recíproco – ela também tinha se descoberto e tinha elogiado absurdamente o meu trabalho. Eu quase chorei de emoção e não me lembro quando senti isso antes, se é que senti…

Achei então que, para finalizar minha formação, eu mesma tinha que passar por uma consultoria. E foi o que fiz. Voltei à consultora que tomou aquele primeiro café comigo e iniciamos o trabalho.

Novamente, mais do que a própria consultoria, ela me deu aulas constantes sobre nossa profissão. Foi uma verdadeira pós-graduação! E também consegui, a partir daí, montar o meu próprio esquema de trabalho – o que faz sentido em uma consultoria no meu entender.

Maravilha! Mas faltava ainda a cereja do bolo. Finalmente a grande expert no assunto, Ilana Berenholc, veio de Israel para ministrar seu curso anual de gestão de pessoas no ambiente corporativo. E lá fui eu para mais uma imersão. Só que dessa vez eu me encontrei; achei o meu mundo, o meu lugar, as minhas colegas, o meu assunto.

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Confirmei minha posição de que a moda é apenas uma das partes de uma consultoria, e para quem quer se dedicar a ela. Mas existe muito mais a ser trabalhado e explorado e era isso o que tinha dentro de mim. Sempre fui observadora, e crítica, de comportamentos, mas só então descobri a relevância desse tema no relacionamento interpessoal e no plano de carreira de uma pessoa. Foi como se alguém tivesse traduzido meus sonhos.

Encerrei meu trabalho com a coach fazendo todo um planejamento de início de carreira, com metas para os primeiros seis meses. De cara já sofri um atraso com a dificuldade em encontrar alguém confiável para fazer o meu site, problema que descobri ser comum.

Criei meu logo e meu site, abri uma fan page e entrei no instagram só para dizer o que estava fazendo. Em um mesmo dia lancei para o mundo que estava encerrando minha atividade como advogada e partindo para uma nova carreira. Recebi os cumprimentos padrões de boa sorte, mas acho que até agora ninguém sabe bem o que estou fazendo, e se é sério.

De novo, depois dos 40 anos, mudar de carreira é tão raro que as pessoas não acreditam no que você está fazendo. Não entendem ser possível largar algo tão certo, por algo tão “duvidoso”…Foi difícil convencer familiares e amigos de que essa era uma decisão muito pensada e acertada, voltada à minha felicidade, que passou a ser a minha prioridade, depois da minha filha, claro.   

Na minha mente, foquei numa frase que uma amiga me disse quando contei a novidade: ”Você está certa! A vida é muito longa para sermos infelizes!” Nunca tinha ouvido isso desse jeito. O padrão é ouvirmos que a vida é curta. Mas se, de fato, pretendo viver até pelo menos os 80 anos, estou na metade da minha vida e não quero ter que passar essa metade fazendo algo que não me dá mais prazer. Ponto final!

Assim, minha formação estava completa, mas ainda existia todo um outro mundo a ser explorado. Eu sou do século passado e avessa às redes sociais. Mas isso não combina com uma profissão em ascensão. Bateu um desespero!

Comecei devagarinho a explorar esse novo ambiente. Tinha apenas 30 contatos no linkedin e um perfil mixuruca. Pouco a pouco fui aumentado minhas conexões e melhorando o meu perfil, que permanecerá em constante melhoria.

Me inscrevi em cursos rápidos de instagram, linkedin, marketing digital e mídias sociais. Tudo ainda está muito embrionário, mas certamente já sei muito mais do que antes de todo esse processo. E não é lindo aprender coisas novas e prazerosas depois dos 40?

E agora estou aqui escrevendo meu primeiro artigo (que foi também pro  linkedin), porque até então só tive coragem de escrever posts. Tive uma inspiração noturna e sabe lá no que isso vai dar. Se alguém ler, estarei feliz. E se ninguém ler, procurarei melhorar, seguindo no meu aprendizado e na busca da minha felicidade!